Claudia Raia fala de peça sobre menopausa, relembra sintomas pesados e comenta fase de transição na carreira artística

23/04/2026

Fonte: O globo Por Luísa Giraldo

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Após temporadas em Portugal e no Rio de Janeiro, Claudia Raia leva ao Nordeste o espetáculo "Cenas da menopausa", definido pela atriz como um “serviço público” e um manifesto sobre a liberdade feminina na maturidade. Com o palco como ferramenta de conscientização para quebrar tabus sobre o climatério, a montagem reflete a percepção da artista sobre o atual estágio do despertar para a saúde da mulher madura:

— Estamos andando para frente em passos lentos, mas estamos caminhando. Deveríamos estar em outro lugar, um pouco mais avançado. As mulheres perceberam a potência delas e constataram que não precisam mais sofrer do mesmo jeito que as mães e as avós. Não é mais preciso aguentar tudo o tempo todo e ser a mulher maravilha. Nós não somos. É impossível passar por esse período sem pedir ajuda, sem que as pessoas ao redor percebam que estamos em uma fase desafiadora.

A peça não poupa detalhes, inclusive no humor. Claudia relembra o receio inicial com uma cena específica durante os ensaios em solo europeu:

— Em Portugal, havia uma cena em que a personagem Tia Judite tirava um vibrador de dentro da bolsa. Fiquei apavorada e achei que o público ia rejeitar ou jogar tomate na gente. Liguei para a nossa sócia portuguesa preocupada, e ela respondeu: “Mas não é para chocar? Então vamos chocar!”. Decidimos fazer e não poupamos esforços para dizer tudo. Hoje, o vibrador é prescrição médica, é um dispositivo terapêutico.

O diagnóstico de menopausa de Claudia não veio de forma imediata. A atriz conta ter vivido um período marcado por alterações bruscas de temperamento e dores físicas severas:

— Todo mundo acha estranho a mulher, de repente, não ter mais tolerância e paciência ou não querer ser tocada. Além das dores, vêm os calores, a irritação e o mau humor. Sou uma pessoa solar, estou sempre de boa, mas estava em uma tristeza só. Bateu uma tristeza horrível, e eu brigava com todo mundo. Foi bem complicado.

Sem perceber os sintomas, ela recorda que o alerta definitivo veio de casa, especialmente do marido, o ator Jarbas Homem de Mello:

— Não percebi que estava entrando no climatério: quem percebeu foi o Jarbas. Sou toda sabichona e falo com médicos o tempo todo, mas não notei. Meus filhos e o Jarbas intercederam e falaram: "Pelo amor de Deus, faz alguma coisa porque ninguém aguenta mais ela". Procurei ajuda e vi que era tudo da menopausa. É uma bomba hormonal, emocional e física. Tive dores horrorosas músculo-esqueléticas (síndrome músculo-esquelética), algo de que pouco se fala na menopausa. Batia nas minhas pernas porque a dor no osso e nas articulações era horrorosa. Fiquei cinco anos sem saber o que era.

 

A transição hormonal se misturou aos desafios da gestação de Luca, hoje com 3 anos. Claudia relata que, a partir do quinto mês de gravidez, enfrentou crises severas de insônia e pânico, sintomas que os protocolos médicos ainda têm dificuldade de associar ao período:

— Comecei a ter um pânico por causa da insônia. Quando começava a entardecer e escurecer, eu “panicava”. Foram praticamente três meses sem dormir. Teve que entrar psiquiatra, e eu tomei remédio. O médico dizia: “Você não tem pânico, você está em pânico”. Nos primeiros cinco dias, não contei para o Jarbas. Ficava andando pela casa e assistia a tudo da madrugada na Globo, desesperada. Um dia, ele acordou, não me viu na cama e veio atrás. A partir daí, ficou comigo direto. Ele perguntava: "Quer passear de carro? Quer malhar essa hora?". E eu malhava. Malhei até o dia em que o Luca nasceu.

Claudia também é mãe de Enzo, de 29 anos, e de Sophia, de 23, frutos do casamento com Edson Celulari. A atriz celebra o êxito na criação dos filhos mais velhos e a doçura do caçula, que já se habituou à rotina itinerante dos pais:

— Olhar para o Enzo e para a Sophia e ver que as estruturas estão de pé dá um alívio. Isso não é sorte, é criação, um trabalho árduo de pai e mãe. Sou uma mãe diferente para cada um, pois estamos em momentos diferentes da vida. Já o Luca é um menino muito calmo e carinhoso. Ele vai para todos os lugares! Parece família de circo, (estamos) quase comprando um trailer.

 

 

Fora dos palcos, o momento é de transição na carreira audiovisual.

— Estou trilhando um caminho que não fiz antes porque fiquei 40 anos na Globo. Foram anos maravilhosos, fiz coisas lindas, amigos maravilhosos e projetos incríveis, mas a novela prende muito durante meses. Não estou mais no Rio, moro em São Paulo e tenho um filho pequeno. Neste momento, não tem muito sentido fazer projetos tão longos. Estou optando por cinema, série e coisas mais curtas, em que eu fique dois, três meses gravando e já acabe. Uma novela é uma gestação, nove meses de loucura. É gravação de segunda a sábado. Domingo é dia de decorar. É bem puxado. Fiz muita novela, então agora quero explorar outras coisas. Não que eu não vá fazer nunca mais, o “nunca mais” é muito forte — explica ela, que fez a série "Fúria", ainda sem data de estreia na Netflix, e apresentará na plataforma o reality "Sua mãe te conhece".