‘Funciono bem para compor quando estou na bad’, diz Gustavo Mioto

30/05/2022

Jornal Extra

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Gustavo Mioto está em um momento iluminado. Comemorando dez anos de carreira, gravou com Ludmilla, sentiu o calor do público carioca e tem uma nova aposta de sucesso nas mãos, “Sofrimento antecipado", que fala das pessoas que sofrem ao fim de uma relação já imaginando a próxi ma relação do amor que perderam. Sofrência das boas.

Qual é a pegada de “Pé na areia” no Rio de Janeiro?

O projeto “Pé na areia” começou há uns três, quatro, anos atrás, que a gente gravou no litoral paulista. Teve aquela música, “Fake news”, que foi a grande música daquele disco. Então a gente sempre pensou em repetir isso aí, surgiu a oportunidade agora, porque a pandemia parou tudo. A gente voltou agora e está conseguindo realizar esse sonho. E o Rio de Janeiro tem tudo a ver com o “Pé na areia”, a gente nunca tinha gravado nada no Rio de Janeiro, inédita e tal. Era uma curiosidade nossa saber como ia ser, como ia dar para trabalhar. Então eu fiquei muito feliz com o resultado. É um disco muito importante para mim, estou muito feliz de o Rio ter me abraçado.

Como foi cantar com Ludmilla?

Gravar com a Lud foi incrível, a Lud é boa em todos os gêneros. Ela canta sertanejo bem, canta pagode bem, canta funk bem. Então eu adoro a voz dela. Eu sempre fui muito curioso do que ia sair da mistura dos dois juntos, do dela e do meu. Então foi muito massa. A gente já vinha falando de gravar uma coisa juntos há três anos também. Aí entrou a pandemia, não virou nada e tal. E agora, quando surgiu a música, quando surgiram as possibilidades, assim e tal, gravação no Rio. Encontrei ela num programa e comentei que talvez tivesse chegado nossa oportunidade e tal. Então, foi muito bom, foi muito natural. Ela é incrível, foi muito querida comigo o tempo todo. Foi incrível.

Qual balanço você faz desses dez anos de carreira?

Olha, o balanço desses dez anos não poderia ser melhor para mim. Acho que é um balanço muito positivo, em dez anos a gente já conquistou muita coisa. A gente que vive no meio do sertanejo sabe que muitas carreiras têm muito mais tempo e menos conquistas. Então, eu sou muito feliz e muito grato à toda galera que abraçou o projeto, o trabalho. A gente nunca foi de fazer muita loucura, de ser ansioso demais, de gastar pra fazer graça. Então eu sempre vejo como um balanço muito positivo nessa carreira de dez anos.

Pode falar um pouco sobre “Sofrimento antecipado”?

“Sofrimento antecipado” é para todas as pessoas que têm aquela gastrite atacada, aquela ansiedade que não para. Aquela pessoa que quando termina, quando é largado, quando é deixado, a pessoa já imagina a pessoa com outra pessoa, a pessoa tendo filho com outra pessoa, já imagina a legenda que a pessoa vai usar na foto do anúncio do namoro novo. Então fica lá na frente. “Sofrimento antecipado” fala um pouco disso, da pessoa que bebe um pouco a mais, já começa a imaginar tudo isso, e essa dor vem dilacerando tudo por dentro. “Sofrimento antecipado” conta a história de muita gente, mas de muita gente mesmo. Inclusive acho que poucas vez na nossa carreira a gente gravou uma música onde a galera se identificava tanto. Então é muito grande a aposta em cima dela.

Você já sofreu muito por amor? Acaba sendo uma boa inspiração para compor?

Acredito que todo mundo já sofreu, sendo uma paixonite, sendo um amor, a gente é intenso. A gente que é artista, que é compositor, é muito intenso. Mesmo que não expresse, por dentro a gente está se corroendo por dentro. É uma boa inspiração, sim. Eu funciono bem quando eu não tô legal, quando tô na bad. Eu consigo enxergar isso em mim. Quando eu tô na bad, funciono bem.

Você cantou “Restrição sentimental” com a saudosa Marília Mendonça. Dá um aperto no peito quando você canta essa música?

É impossível você cantar essa música e não lembrar, é impossível você estar no show e não sentir aquele vazio. Assim como na época que eu gravei com o Cristiano Araújo. A gente sentia a mesma coisa. Então, são duas perdas assim que são imensuráveis pro sertanejo e pra música brasileira. É claro vai sempre dar um apertozinho.

Quem são seus maiores amigos no mundo da música?

Maiores amigos no mundo da música vão acabar sendo os compositores que estão sempre comigo. Os compositores que sempre escrevem comigo são meus melhores amigos, porque estão sempre escutando a vulnerabilidade do Gustavo. Então a gente conversa sobre isso, para escrever sobre. Tenho vários compositores que são grandes amigos. São as pessoas que acessam os meus sentidos.

E quem são seus ídolos, os que te inspiram?

Acho que todo mundo que dá entrevista vai falar os mesmos nomes. É difícil não falar sobre Chitãozinho e Xororó, Zezé Di Camargo e Luciano. Escutei muito Edson e Hudson, que marcaram muito a minha vida, Guilherme e Santiago, que são muito fortes pra mim. São pessoas que vão construindo. A gente vai se virando, pegando um pouco de cada um, construindo a nossa obra.